20 Maio 2012
Cá estou eu, um dia após o final de mais uma Epic Aventura em BTT – a 10ª TRANSPORTUGAL GARMIN RACE.
Foi a mais longa, em dias e quilómetros, e a mais dura, pelo desnível acumulado total da prova. 9 Dias, 1150km com 26500 metros de desnível acumulado positivo. A acrescentar a esta receita, o fato de ser feita em completa autonomia durante as etapas, e orientada por GPS. Existe mais alguma corrida de BTT no mundo com estas características?!
Em Setembro do ano passado, quando decidi embarcar nesta aventura, foi logo a pensar em discutir a vitória. Como seria bonito acumular no meu palmarés uma vitória na Volta a Portugal em bicicleta de estrada e outra na volta a Portugal em BTT! Foi com este objetivo que treinei de forma regular e intensa durante 5 meses, e em que a gestão do tempo, muitas vezes curto para tudo, deixou para segundo plano a família. Treinei para estar preparado para tudo o que viesse e para quem viesse. Não conhecia os adversários, só sabia que me encontrava muito bem física e mentalmente. Preparado para tudo! O meu maior receio eram os “azares”. Avarias, quedas, doenças, lesões, que me impedissem que continuar em prova ou que me limitassem fisicamente.
O conceito da Transportugal é diferente de todas as outras provas que conheço ou que já ouvi falar. Além de ser em completa autonomia (não podíamos receber qualquer apoio/ajuda do exterior), existe apenas uma classificação, não há categorias por idades ou géneros. A nivelação entre os atletas de diferentes idades e/ou sexo, é feita através do sistema de handicaps(bonificações em % de tempo). Isto permite que qualquer participante, tenha a idade que tiver, seja homem ou mulher, possa conseguir uma boa classificação geral, ou mesmo ganhar. Só para terem uma ideia, o terceiro classificado foi a Kate Aardal, que já o ano passado tinha sido 4ª e o quinto classificado foi Henry Hayes, também um repetente desta prova, de 53 anos! Eu também já tive direito a um handicap de 2% que se traduzia numa bonificação média de 6 minutos em cada etapa. A Kate partia cerca de 40-45 minutos mais cedo em todas as etapas. A minha missão diária, assim como a de todos os partiam mais tarde, era a de perseguir os atletas que partiam mais cedo.
Quase sempre o último a ser apanhado era a Kate, e muitas vezes eu fui o único que a conseguiu alcançar. Ela foi a minha principal adversária, pois tornava-se mais fácil “controlar” os elites que partiam minutos depois de mim, que os que partiam á minha frente e nunca sabia quando os conseguiriam alcançar. A Kate desce excelentemente e sobe bem. O ponto fraco dela era em terreno plano, mas várias vezes aproveitou a boleia de Henry Hayes sobretudo quando o vento soprava de frente.


